Procedimentos de autoria
Ensinar alunos a produzir seus próprios textos tem sido um desafio e, em reuniões de formação continuada, não é raro encontrar professores descontes com o resultado de suas situações didáticas. A maioria dos docentes tem buscado estimular produções a vista de gravuras ou com temas livres, que na maioria das vezes (salvo os alunos com a algumas habilidades já desenvolvidas) desencadeiam textos desconexos, sem função comunicativa e com poucas possibilidades de avanço ou de revisão. De maneira bem simplista, é possível dizer que nestas situações propostas pelos professores fica muito difícil a definição de objetivos, já que a definição do problema retórico não foi explicitada. No caso das propostas de produção textual elaboradas sob esta ótica, vale mais a pena recomeçar o processo para investir na definição do problema retórico ao invés de querer melhorar o texto. Segundo FORTUNATO (2009), a definição do problema retórico é um dos pontos principais para que o escritor possa realizar sua interpretação acerca da tarefa que deve realizar e assim, planejar ações e delimitar objetivos para que o texto aconteça. Diante disso, acredito que uma das contribuições importantes que os professores podem dar para o processo de produção de textos de seus alunos é um investimento maior na definição da situação problema.
Com relação ao processo de revisão, de acordo com o que entendi a partir da leitura do texto, é a parte que contribui para o planejamento da produção textual. É por meio da revisão, que o escritor readequa seu textos na qualidade do discurso, redefine o gênero e utiliza maior ou menor formalidade. Porém o desafio para os educadores é convencer os alunos da necessidade de revisar seus próprios textos. Tenho indicado aos professores, em reuniões de formação a necessidade de trabalhar com mais de uma versão de uma mesma produção. No entanto, os mesmos se queixam de que seus alunos se recusam a reescrever o mesmo texto, mesmo quando se muda o foco da revisão. Ao ler o texto acima citado acredito que o fato de tornar consciente o processo e investir cada vez mais na clareza quanto ao problema podem fazer toda a diferença. Outro aspecto que acredito que pode ajudar muito a alunos de 4ºs e 5ºs anos do Ensino fundamental pode ser propor reflexões a respeito dos comportamentos padrões que os escritores tendem a adotar na gestão do processo de produção textual.(FORTUNATO, 2009 P.01). Não basta dizer aos alunos para que revisem seus textos para que fiquem melhores, é necessário tornar observável o que necessita de revisão e isso se faz possível a partir de observação das “assinaturas de escrita”, reflexão do processo de produção, retomada dos objetivos e do problema desencadeador da produção...
Dessa forma, acredito ser de suma importância propor reflexões com professores, primeiro de forma muito prática de situações de produção textual, em segundo lugar dos processos vivenciados para que, após a vivência em reuniões de formação continuada, possam se apropriar da teoria e retomá-la de forma prática em suas aulas.

Um comentário:
Sebastião, seu comentário está muito interessante e bastante pertinente. Algumas observações importantes. Primeiro, é preciso ter clara a ideia de que planejamos e revisamos o texto o tempo todo enquanto escrevemos. Não há um planejamento ou uma revisão. Talvez essa consideração mude a atuação do professor na condução do processo, não? Outra observação diz respeito às assinaturas de escrita ou aos padrões de processo que cada escritor estabelece para si. Creio que eles servem mais para nos mostrar que apesar de adotar procedimentos comuns a todos os escritores, cada escritor constrói seu modo de gerir seu processo ao longo de sua aprendizagem. Então observamos duas coisas: primeiro, o processo de produção é singular, segundo, é possível ao professor ajudar na construção desse padrão se ele ensinar boas estratégias de produção de textos. Concorda?
Beijo, Márcia.
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